quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Crítica: Mefisto versus Heróis Marvel

 Imagine os principais grupos de super-heróis da Marvel enfrentando Mefisto, o senhor do mal, ou como ele mesmo se defini, o próprio satã. É exatamente o que ocorre na história Mefisto versus Heróis Marvel, uma história que li inicialmente na década de 90, e que trago aqui alguns comentários.

                                                      Imagem: coleção particular do autor. 

Mefisto é o príncipe do mal do inferno, que no universo Marvel é uma das dimensões existentes, assim como Asgard está em outra dimensão. O demônio, que foi inicialmente criado por Stan Lee como um antagonista que tenta obter a alma pura do Surfista Prateado, nesta história confronta os principais grupos de super-heróis Marvel.

 Inicialmente Mefisto ataca o Quarteto Fantástico, se utilizando de diversos subterfúgios, no caso as rugas existentes nesta família, como as brigas entre o Coisa e o Tocha Humana, e o gênio esquentado do Tocha, e por fim consegue agrupar os heróis em seus domínios. Mefisto é um ser conectado com a dimensão que governa, no inferno seus poderes são absolutos, fora dele ele precisa se utilizar da enganação para conseguir seus intentos.

 Ao enfrentar o Quarteto Fantástico o demônio utiliza seus principais temores contra eles, como quando literalmente descasca o Coisa para revelar uma ama tão monstruosa como seu corpo, ou quando engana Reed Richards para que este pense que sua inteligência é fruto de um pacto entre ele e o demônio. Por fim cabe a Sue Richards se sacrificar, literalmente vendendo a alma para salvar sua família.

Mefisto entretanto não se safistas com a alma de uma humana, e vai então tentar obter a alma de um mutante, se confrontando com o X-Factor e os X-men, que na época formavam as duas mais importantes equipes mutantes da Marvel. O X-Factor são os X-men originais: Ciclope, Jean Gray, Fera, Anjo e Homem de Gelo, que também se mostram incapazes de confrontar o lorde do inferno.

É no confronto com  o X-Factor que Mefisto se revela o demônio bíblico, e se declara uma espécie de, nas palavras de Jean Grey um “policial cósmico”:

 Mefisto: É claro! Sem medo de um aprisionamento em meu reino… mesmo que seja apenas um temor subliminar… o homem roubaria, violentaria e guerrearia de maneira excessiva!

  Mefisto: Eu, em verdade, não sou maldoso! Apenas puno os que realmente são!

Jean Grey: Está tentando nos dizer que é apenas um policial cósmico?

Mefisto: De certa forma, sim! Eu cuido para que monstros humanos como Hitler, Atila e até os mais reles criminosos paguem por seus crimes! 

(p. 35 e 36).

 Neste breve diálogo o príncipe enganador quer que os heróis mutantes o considerem como um dos seus, um ser que pune assassinos genocidas e reles criminosos. Este trecho revela a ideia popular de que o lorde do inferno tem um papel cósmico de punir os pecadores, e que sem ele as pessoas não poderiam ser boas, que o bem é fruto do medo de uma punição eterna.

 Seguindo seus objetivos nefastos Mefisto faz uma nova barganha, e assim obtém uma alma que julga superior a anterior, e dá um novo passo agora atacando os X-men. Na Mansão dos X-men estão Tempestade (que neste momento das histórias não tem poderes), Wolverine, Longshot (que também é um ser de outra dimensão), Cristal, Psylocke e Vampira, que é engana e acaba servindo aos interesses do lorde do inferno.

Por fim, Mefisto que mais uma vez é detentor da alma de uma mulher mutante parte para obter a alma de um deus, no caso Thor que se encontra ferido e a beira da Morte, o demônio então confronta os Vingadores, que são derrotados facilmente. A trama segue com um intricado jogo de interesses entre Mefisto e Hela, a senhora do reino dos mortos de Asgard, e, portanto, legitima detentora da alma de Thor.

 Na história temos a participação do Tribunal Vivo, um dos seres cósmicos mais poderosos da Marvel, e que está acima de Mefisto. Uma participação interessante, e que revela a posição de Mefisto na hierarquia dos seres cósmicos deste universo ficcional.

 Mefisto versos Heróis Marvel foi publicado em 1991, eu lembro de ter lido esta HQ no início dos anos 90, e ela então me impressionou muito. Revisitando agora é interessante ver como o roteirista Al Milgrom consegue trabalhar em uma trama de 100 páginas com os principais grupos de heróis da Marvel, confrontando um dos seres cósmicos mais poderosos em uma história em quadrinhos fechada, com uma narrativa cativante no qual o leitor só percebe o verdadeiro intento de Mefisto ao final da história.

 Com desenhos de John Buscena, Mefisto versos Heróis Marvel, demostra que é possível construir uma boa história, utilizando vários grupos de super-heróis, e mesmo assim não ser um evento que dure vários meses e dezenas de revistas. No Brasil Mefisto versos Heróis Marvel, foi publicada em 1991, em formatinho, pela Editora Abril sendo o número 3 da coleção Épicos Marvel.

 

 Referência bibliográfica:


MILGROM, Al (roteiro); BUSCEMA, John (Desenhos). Mefisto versus Heróis Marvel (Épicos Marvel 3). São Paulo: Editora Abril, 1991.


 
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